Injustiça: Unidos da UDN perde Carnaval de SP

08/03/2011

APROPRIAÇÃO INDÉBITA: A UDN não perdoará jamais a ousadia da Vai-Vai.

Este é mais um post que conta com a colaboração Revmo. Pe. Quevedo. Segundo minha tia Carmela, “isso sim é que é padre, não aquele sujeito que fica saltitando igual a uma gazela”.

O Mais Preparado dos Brasileiros, o futuro presidente Zezinho, está inconsolável com uma das maiores injustiças já ocorridas no carnaval: a Unidos da UDN foi derrotada no desfile das escolas de samba paulistanas.

O presidente de Nascença é o diretor de harmonia, concórdia e lealdade da escola queridinha da imprensa nacional, mas seus hercúleos esforços foram baldados. Apesar dos sonhos do Maior dos Brasileiros, não foi desta vez que a UDN conseguiu roubar a cena na folia.

Problemas

Os problemas com o carro alegórico Democratas da UDN foram apontados como um dos motivos que levaram à derrota da prestigiosa agremiação udenohigienopolitana.

Um influente deputado estaria atrás do pitta de estimação do pres. Zezinho, em sua decisão de faltar ao desfile da Unidos da UDN.

O Maior dos Filhos da Mooca teria ficado revoltado com a postura de seu pitta de estimação, principal destaque do carro.  Ele faltou ao desfile, levando consigo a equipe do carro alegórico, deixando o veículo carnavalesco quase vazio e sem ninguém para empurrar.

Mas os problemas não pararam por aí. Várias alas tiveram dificuldades.

A Ala Mineira foi uma das que decepcionou. Com o tema “da pirâmide administrativa sai uma múmia traiçoeira fazendo dossiês” bem adequado ao enredo, teve como coordenador o Sr. Tancredo Neves. A importação do sambista carioca foi criticada por muitos, e com razão. Apesar de impressionar parte do público, a ala do fanfarrão minésio atravessou o desfile o tempo inteiro, comprometendo a harmonia que o pres. Zezinho tentava manter. Segundo um dos jurados, parecia que a Ala Mineira era uma escola à parte dentro da Unidos da UDN.

A Ala da TFP foi outra que comprometeu. Geraldinho do Vale, principal destaque da ala, chegou depois e quis mudar tudo o que o Almirante do Tietê havia deixado pronto. A Sra. Monica Pinochet, outro destaque,  estava visivelmente desconfortável por dividir o carro alegórico com a Sra. Soninha Copélia, que saiu completamente desnuda, representando a moral e a tradição vilipendiadas pelos petistas.

MÃO GRANDE: Apesar da fantasia, foi fácil reconhecer a sra. Ymelda Cruzes.

Já a  Ala da Mão Grande, a  maior da Unidos da UDN, não decepcionou. Seu principal destaque foi a Sra. Ymelda Cruzes, mas contou com a participação de muitos outros próceres da escola e atraiu udenistas de todo o Brasil. Um dos destaques foi um folião que veio de Roraima, fantasiado de Pe. Anchieta. De Brasilía, o Sr. Augusto veio com sua bela fantasia de portal de transparência da internet. O almirante Sérgio Ricardo fez muito sucesso com sua fantasia de pirata do Caribe e o ex-assessor para assuntos gráficos do pres. Zezinho, Sr. Paulo R. Gates de Souza, arrancou gargalhadas do público ao sair fantasiado de educador.

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI: O Cacique Merendinha queria ser destaque pela Unidos da UDN, mas o pres. Zezinho mandou-o desfilar a pé.

A Ala do Panetone também teve problemas: o carro alegórico vinha com Demoarruda Bauducco (PSDEM-DF) fantasiado de chacrinha e gritando para a multidão “vocês querem panetone?”. O plano do pres. Zezinho era que ele distribuísse panetone para o público, mas não funcionou. O panetone sumiu nos primeiros segundos do desfile. Depois, um documentário do cineasta Dorval Filmes revelou que um filhote de roriz havia dado sumiço em 50 mil panetones. Quem se salvou nesta ala foi Cesinha Malta Junior, que representou os viciados em panetone e comeu 15 quilos ao longo do desfile.

Quanto à mais esperada das alas, a Ala da Bolinha de Papel, também teve problemas. O principal destaque, um perito de aluguel, passou o desfile todo bolinando e contando cascatas para as passistas, para desespero de Ari Carmelo, coordenador da ala. Os componentes da ala reclamaram por ter que carregar pesadíssimas bolinhas de papel. Uma delas quase atingiu o Majestoso Encéfalo do Presidente de Nascença, o que teria causado, desta vez, uma tragédia.

A Ala dos Bichos fez sucesso com o público. Seus destaques foram Zulaiê  (Crotalus terrificus), Dioguinho de M. (Rattus rattus), Araponga (Canalhus itagibus) e Jorginho Borraugem (bichos em extinção). Apesar disso, um dos destaques, o sambista carioca F. Gabeiramar (Ramphastos dicolorus), contratado a peso de ouro, acabou atrapalhando o desfile, pois ficava o tempo todo pedindo mais dinheiro ao pres. Zezinho.

ALA DOS INTELECTUAIS: Diogo de M. saiu fantasiado de porta-penico, mas ninguém percebeu.

Já a Ala dos Intelectuais esbanjou samba no pé, mas teve notas baixas. Um dos destaques, Sr. Marcelo, vindo diretamente do bairro de Madureira, no Rio de Janeiro, estava tão embriagado que não conseguia acompanhar o samba e tinha que se agarrar a seus amigos. Outro destaque, Sr.  Reinaldinho Cabeção, estava visivelmente enciumado dos outros importantes intelectuais da ala, como ex-poeta Ferreira Gulag  e a cantora lírica aposentada Sandy Jr. (que desfilou vestindo apenas um rótulo de cerveja, mas acabou arrancando a fantasia porque era de má qualidade). Outro destaque da ala, o grande ator Juca de Oliveira, ao invés de cantar o samba-enredo preferir recitar um monólogo sobre a superioridade do teatro e contra a democratização da distribuição das verbas de incentivo à cultura.

Mas nem todas as alas trouxeram problemas para o desfile da Unidos da UDN. A Ala dos Aposentados da Caverna do Ostracismo, se não brilhou, também não comprometeu. Com o tema: “na UDN, todo mundo agora é bocha”, a ala mostrou a importância desse esporte ítalogerontoudenista e trouxe vários grandes moradores da famosa caverna higienopolitana que acenavam para o público, mas não foram mais reconhecidos.

Sucesso

ALA DAS BATINAS: Os coroinhas desfilaram como anjinhos no carro alegórico do Pe. Marcelo.

A tradicional Ala das baianas foi um dos sucessos. Com o tema “Jutahy: O Acarajé do Magalhães Fortalece o Almirante do Tietê”, a ala cativou o público com o charme e malemolência de seu principal destaque, Sr. Paulo Ainda Solto.

A  Ala Mirim das Baianas foi a mais aplaudida. Seu principal destaque foi o deputado portátil   ACM Nato, mas a ala atraiu a mocidade udenista de todo o país, como demonstra a participação até dos naturalmente superiores udenistas do Sul do Brasil, os moleques Piá de Prédio (UDN-PR) e  Paulinho Borraugem (UDN-SC).

Quem fechou o desfile foi a Ala das Batinas. Com o tema “Com a Graça de Deus, o Almirante do Tietê Vai Salvar Quase Todas as Criancinhas”, a ala emocionou o público. O principal destaque, o terrível Bispo de Guarulhos, não pode comparecer porque estava fazendo retiro espiritual forçado. Mas o Pe. Marcelo assumiu o posto com toda a empolgação. Trajando uma bela minitúnica transparente e uma estola fosforecente, ele abençoava o desfile e distribuía santinhos do Almirante do Tietê com uma bela oração pela sua beatificação no verso.

Comentário da tia Carmela

QUADRILHA: UDN sempre foi melhor de festa junina que de carnaval.

Quando era criança, aqui na Mooca, o Zezinho adorava se fantasiar no carnaval. A fantasia preferida dele  era a de cowboy. Uma vez, ele convenceu o Reinaldinho Cabeção a se fantasiar de cavalo. O Zezinho passou os três dias do carnaval montado no Reinaldinho Cabeção. De vez em quando, batia com as esporas nele, dava uma chicotada: “Ô cavalo imprestável! Eu devia fazer salsicha de você!”

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